Domingo, 17 de março de 2002.

 

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  Sobre a Homossexualidade

Por Nicky

Homossexualidade: como o nome já diz (homo = igual, em grego) é a característica das pessoas que sentem atração por outras do mesmo sexo. A homossexualidade é o oposto da heterossexualidade, que é a orientação sexual da maioria das pessoas (atração pelo sexo oposto). Existe ainda a bissexualidade, que é a orientação de quem sente atração tanto por meninos quanto por meninas (para mais informações, confira o item Sobre a bissexualidade ainda nesta seção).

Existem inúmeros sinônimos para a palavra homossexual. Os mais comuns são gay (que pode ser usado tanto para meninos quanto para meninas) e lésbica (que é usado só para as meninas). Uma porção deles - veado, sapatão, bicha, frutinha - são usados com uma conotação pejorativa, apesar de que ser chamado de homossexual, seja lá por que nome for, mais parece um elogio.

Ao contrário do que muita gente acredita, os homossexuais estão em todo lugar, em todas as classes sócio-econômicas, em todas as comunidades. São de todas as raças, religiões, idades, cores, grupos étnicos e sexos. São pobres, ricos, feios, bonitos, gordos, magros, altos, baixos. Em suma, são pessoas iguais a todas as outras, exceto pela orientação sexual.

Não existem números precisos com relação à quantidade de homossexuais no mundo, mas o cálculo mais aproximado diz que cerca de 10% da população mundial é composta de gays, lésbicas e bissexuais. Isto dá mais de seis milhões de pessoas (e depois ainda dizem que o mundo não é gay...).


Um pouco de história

Nem sempre a homossexualidade foi encarada como o tabu que é hoje em dia. Na verdade, algumas civilizações antigas encorajavam a atividade homossexual como uma prática respeitável. Era o caso da Grécia Antiga, onde as relações entre dois homens eram perfeitamente comuns. Naquela época, os meninos adolescentes mantinham relações sexuais com homens mais velhos, pois isto era considerado uma forma de agradecer aos ensinamentos que as pessoas mais experientes tinham para passar aos mais jovens.

Os tabus contra a homossexualidade começaram mais tarde, com a disseminação dos códigos morais de algumas Igrejas, como a católica, que considerava (e considera) esta orientação um pecado grave e um comportamento imoral. Com isto, os homossexuais passaram a ser condenados na maioria das antigas civilizações ocidentais.

No início do século XX, com o surgimento de ciências como a psicanálise, a homossexualidade passou a ser vista por muitos como uma doença. Em tempo: Sigmund Freud, o pai da psicanálise, discordava firmemente desta definição. "Homossexualidade seguramente não é uma vantagem, mas não é nada de que se envergonhar, não é vício, não é degradação, não pode ser classificada como uma doença..." (declaração de Freud em 1935).

Recentemente, várias pesquisas foram conduzidas com o intuito de desvendar a causa da homossexualidade. Uma das mais polêmicas, publicada em 1993, declarava ter encontrado causas genéticas para esta orientação sexual. Porém, o estudo foi considerado inconclusivo pela comunidade científica, assim como a grande maioria de estudos realizados neste sentido até agora.


O preconceito do século XX

Durante a primeira metade do século XX, a atitude com relação aos homossexuais foi extremamente negativa. Na maioria dos países, esta orientação era considerada uma ofensa e punida como crime. Por isso, os relacionamentos homossexuais nesta época eram todos mantidos em absoluto sigilo, caso contrário as pessoas envolvidas poderiam ser severamente castigadas, e com todo o consentimento do Estado.

Além disto, havia também o nosso velho e conhecido preconceito, que persiste até os dias de hoje, mas era mais grave do que nunca naquele tempo. Os homossexuais eram considerados depravados, imorais, obcecados por sexo e molestadores de crianças. Na Alemanha nazista da 2ª Guerra, eles foram perseguidos e confinados nos campos de concentração. Leia mais no item Homofobia e preconceito ainda nesta seção.

Estes conceitos só começaram a mudar no final dos anos 40, quando surgiram publicações e estudos que ajudaram a desmentir alguns dos preconceitos em torno dos homossexuais. O biólogo americano
Alfred Charles Kinsey foi autor de um destes estudos, publicados nos livros Sexual Behavior in the Human Male (Comportamento Sexual no Macho Humano - 1948) e Sexual Behavior in the Human Female (Comportamento Sexual na Fêmea Humana - 1952). Este foi um dos primeiros estudos que descreveu os homossexuais como dito nos primeiros parágrafos deste texto, ou seja, sendo de todos os lugares, em todas as classes sociais, praticando todo o tipo de religião, enfim, pessoas como quaisquer outras. Como conseqüência deste e de outros estudos que vieram em seguida, a American Psychiatric Association (APA) retirou a homossexualidade da lista de doenças mentais em 1973, atitude que foi repetida pelo Conselho Federal de Psicologia em 1999. Para ver o texto da Resolução do Conselho, clique aqui.


A luta pela igualdade de direitos

Nestes anos mais recentes, o ativismo homossexual cresceu de maneira estrondosa por todo o mundo. Muitas pessoas - homossexuais ou não - passaram a defender a bandeira da igualdade de direito para todos.

O acontecimento que marcou definitivamente o início do movimento gay ficou conhecido como a revolta de Stonewall. Ocorrida num bar de mesmo nome em 1969, na cidade de Nova York, a revolta foi causada por uma batida policial que gerou uma reação assustadora dos freqüentadores gays e lésbicas do local. Daquele momento em diante, nascia o Gay Pride Day - o Dia do Orgulho Gay, que ganhou versões em vários países do mundo, inclusive o Brasil.

Graças ao protesto de Stonewall, a comunidade homossexual ganhou força e passou a se organizar na luta por seus direitos. Centenas de ONGs surgiram pela defesa dos homossexuais, inicialmente nos Estados Unidos e em seguida no mundo todo. No Brasil, diversas organizações representam a comunidade gay, como a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, entre outras (veja a lista completa na seção Ajuda).

Estas organizações lutam principalmente para que os homossexuais tenham os mesmos direitos que os heterossexuais, no que diz respeito à união civil. Atualmente no Brasil, os casais homossexuais não têm direito, por exemplo, à herança, benefícios previdenciários, seguro-saúde conjunto, declaração conjunta do imposto de renda, entre outros. Existe um projeto em andamento da Câmara dos Deputados, de autoria de Marta Suplicy (atual prefeita de São Paulo), que prevê a legalização de todos estes direitos citados, para casais de pessoas do mesmo sexo. Apesar dos esforços de Marta na sua época como deputada, o projeto está emperrado graças a artifícios usados por outros deputados para adiar a votação.

No mundo todo, os direitos dos homossexuais variam. Em alguns países, gays e lésbicas podem desfrutar de todos os direitos concedidos a casais heterossexuais, inclusive casamento. Em outros, muito mais retrógrados, a homossexualidade ainda é considerada crime e pode ser punida como tal.

Com a expansão do ativismo, cresceu também a visibilidade dos homossexuais na mídia e na sociedade. Diversos artistas e políticos são homossexuais assumidos ou defendem abertamente a bandeira gay. Publicações como a G Magazine circulam nas bancas de jornal sem constrangimentos. Até na TV tem acontecido avanços surpreendentes, graças a iniciativas como as da MTV. A emissora recentemente veiculou uma versão gay do programa "Fica Comigo", arrebentando tabus e - este detalhe é interessante - alcançado uma das maiores audiências da sua história.


Perspectivas para o novo século

Apesar de todas as conquistas, a desinformação faz com o preconceito contra homossexuais ainda se mantenha com muita força em pleno século XXI. Gays e lésbicas no mundo todo ainda sofrem com violências, discriminações, abusos e ofensas. Ainda existem pessoas que espancam e matam homossexuais por puro ódio. Jovens homossexuais ainda se sentem acuados e com medo.

Ainda que este seja um sonho quase impossível, esperamos que este século seja lembrado para sempre como aquele em que a humanidade viu o encerramento de todo o tipo de preconceito e intolerância, e no qual a nossa diversidade foi definitivamente celebrada, e não mais destruída. Afinal, sonhar nunca fez mal pra ninguém. E é a partir de um sonho que se constrói uma realidade.

 

"É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito." Albert Einstein

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