Domingo, 17 de março de 2002.

  Na Real

Por Skeeter

Escrever um e-mail sobre como é ser um homossexual é quase tão complicado quanto contar para a família sobre sua sexualidade: você tem que medir as palavras, pensar bastante antes de fazê-lo, não perder a paciência e, mais que tudo, estar pronto para todo tipo de reação (desde "parabéns pela coragem" até "não quero te ver nunca mais na minha frente", passando pelo 'sutilmente preconceituoso' "deve ser apenas uma fase").

Descobri ser gay há mais ou menos um ano. Sempre tive minhas dúvidas, mas cheguei a sair com garotas (experiências não tão ruins quanto alguns acham). Quando realmente resolvi assumir para mim mesmo (o que é sempre o primeiro passo: aceitar-se... como dizia algum filósofo cujo nome eu sempre confundo: conhece-te a ti mesmo), há mais ou menos um ano, passei um bom tempo ponderando se deveria contar ou não para mais alguém... Correndo o risco de acharem que sou alienado, foi um programa de tv que me levou a contar para minha melhor amiga: o "Na Real", que tinha um participante gay. Achei que aquele era um bom momento. Contei. E para minha surpresa, ela levou numa boa, me apoiando, me fazendo perguntas. Foi muito bom.

Algum tempo depois, resolvi contar para minha mãe... Eu estava com muito medo de reações extremas... Contei. Ela ficou parada por um tempo, olhando pra minha cara e perguntou: "Você tem certeza?". Eu disse que mais ou menos (ainda não tinha ficado com nenhum cara na época), mas era quase certo. Durante algumas semanas, a situação ficou tensa. Nos olhávamos como quem não entende a posição do outro. Com o tempo, minha mãe foi aceitando a idéia, chegando até a brincar sobre isso. Hoje ela se tornou uma das minhas maiores confidentes.

Resolvi escrever isso para que todos vejam que as pessoas que realmente se importam com você não se importarão se você é ou não é... pois isso não te faz uma pessoa pior ou melhor.
 

"É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito." Albert Einstein

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